A reprodução do peixe Betta (Betta Splendens – Peixe de briga)

O primeiro passo a dar para se obter sucesso na reprodução do Betta é o preparo do aquário onde ocorrerá o cruzamento.

Qual o melhor tamanho de um aquario? Betas podem ser cruzados até em pequenos aquários de 30 x 30 x 20 cm, com capacidade de 12 litros, mas depois de nascidos, a manutenção dos alevinos irá se tornar em pouco tempo um problema pela poluição da água. Alimentar alevinos na quantidade exata de comida é muito difícil e o excesso dado irá poluir o aquário. Se sua capacidade é pequena e não podemos usar filtragem, em poucos dias a água torna-se perigosa para os alevinos e sua transferência para outro aquário também seria danosa. Assim sendo, é preferível trabalhar com aquários de 50 x 30 x 30 cm, com capacidade de 45 litros, que pode suportar a ninhada por 30 a 60 dias, quando já poderemos subdividi-la sem riscos, passando-a para dois ou mais aquários conforme o número de filhotes obtidos no cruzamento.

O aquário onde faremos o cruzamento deve ser bem limpo e posto para secar no sol por uma hora, procurando-se com isso uma boa higiene inicial. A seguir é cheio com uma altura de 20 cm de água de pH neutro (7.0), e deverá ser a adicionado um fungicida comercial de boa qualidade, na proporção de uma gota para cada 10 litros de água, como preventivo a fim de proteger a desova de fungos, o que pode ocorrer se não for tomado esse cuidado.

Usamos espalhar pela superfície do aquário uma boa quantidade de samambaias d’água, que servirão tanto para apoio do ninho, quanto para proteger a fêmea de machos mais agressivos, no período da corte, quando ela ainda não está pre disposta ao cruzamento.

Um vidro de boca larga, ou um pequeno aquário usado para guardar os machos, é colocado, cheio da mesma água do aquário, em seu centro, o qual irá receber a fêmea selecionada para o cruzamento.

Alguns criadores costumam colocar dentro do aquário, em um de seus cantos, uma pedra de bom tamanho, sem arestas, para servir de refúgio à fêmea, antes e depois do cruzamento.

Terminado este preparo inicial, baixamos o nível da água para 15 cm, o que nos dará oportunidade de fazer uma limpeza final no aquário, deixando-o isento de pedaços de raízes ou outros materiais trazidos pelas plantas. Este nível de 15 cm é denominado “nível de cruzamento”, e visa dar espaço aquático para as manobras do macho e da fêmea no momento do cruzamento.

Deixamos este aquário preparado descansar por 48 a 72 horas, enquanto selecionamos os reprodutores e os condicionamos à reprodução com a intensificação da alimentação, composta de muitos alimentos vivos.

Após este prazo, é chegado o momento de introduzirmos o macho e a fêmea no aquário. Coloca-se a fêmea dentro do pequeno recipiente no centro do aquário, deixando o macho solto dentro do aquário, sendo ambos colocados no mesmo instante em seu local de espera.

Assim que o macho construir o ninho, o que geralmente ocorre, com machos saudáveis e bem alimentados, com a água em torno de 27º C, cerca de 1 ou 2 horas após serem introduzidos macho e fêmea no aquário de reprodução, soltaremos a fêmea, que imediatamente procurará abrigo em algum dos cantos do aquário.

Imediatamente o macho irá iniciar o seu ritual de cortejamento da fêmea, abrindo as nadadeiras e nadando ao redor da fêmea, a fim de obrigá-la a se aproximar do ninho. O ninho construído pelo macho é constituído de borbulhas que ele faz com ar apanhado na superfície revestidas com um muco que evita que as bolhas estourem e faz com que elas fiquem unidas, formando um grande ninho para receber a desova.

O tempo entre o início da corte e o primeiro abraço poderá ser menor ou maior em função da compatibilidade entre o macho e a fêmea. Para diminuir este problema, é aconselhável deixar o casal que será utilizado na reprodução frente a frente, em aquários separados, por cerca de 10 a 15 dias antes da reprodução.

Se o cruzamento não ocorrer em até 72 horas, fica entendido que não há compatibilidade entre o macho e a fêmea escolhidos, ou a fêmea não está pronta para a desova. Neste caso, a fêmea deve ser retirada do aquário e todo o processo descrito deverá ser reiniciado.

Se tudo der certo, se iniciará o processo de postura dos ovos. O macho nada de encontro à fêmea e, diante dela, a circunda com movimentos produzidos por suas nadadeiras ventrais. A fêmea que, ao aceitar o macho, já assumiu a coloração de cruzamento (aparecem barras laterais espalhadas pelo corpo), coloca-se em posição inclinada com a cabeça abaixada, como se fosse uma posição de submissão ao macho.

Neste ponto do cruzamento, a respiração do macho se torna um pouco diferente do normal, e ele irá com mais frequência à superfície para buscar ar. Isso ocorre para que as glândulas salivares sejam ativadas, permitindo que ele produza uma maior quantidade de muco que será usado para proteger as borbulhas.

O macho aproxima-se da fêmea e a golpeia fortemente próximo a abertura urogenital, onde se situam os ovários. Os golpes produzem uma ação sobre os óvulos, aumentando sua pressão interna, o que facilitará sua saída. Após alguns golpes e tendo a fêmea mantido sua posição inclinada com a cabeça para baixo, o macho tentará traí-la para debaixo do ninho, nadando vagarosamente.

Quando a fêmea se posiciona debaixo do ninho, o macho se aproxima para o primeiro abraço. Com o corpo dobrado em forma de “U”, tendo a nadadeira caudal para baixo, ele abraça a fêmea rodeando-a fortemente. Neste momento, as cavidades urogenitais de amos estão próximas e assim que a fêmea solte os óvulos, o esperma do macho irá fecundá-los. A fêmea também arqueia o seu corpo e abraça o macho, formando um par de “U” que, no momento do abraço e alguns segundos depois, apresentam uma rigidez física, que só se desfaz após a separação dos reprodutores.

Pode acontecer de algumas vezes o macho não abraçar a fêmea no local correto. Isso ocorre geralmente com machos novos em seu primeiro cruzamento.

Quando o aperto exerce a pressão adequada, começam a sair os ovos, os quais afundarão (cerca de 20 a 50 óvulos por abraço), espalhando-se pelo fundo do aquário, próximos ao ninho.

Como não colocamos nada no fundo do aquário, os óvulos irão cair diretamente sobre o vidro do fundo do aquário e serão facilmente visualizados, visto que são de cor branca leitosa.

Ao terminar o abraço, por alguns segundos o macho e a fêmea permanecem entorpecidos, afundando lentamente, sendo que o macho recupera-se primeiro que a fêmea e, imediatamente mergulha na busca dos ovos, recolhendo-os com a boca, envolvendo-os em borbulhas de muco e colocando-os cuidadosamente no ninho. Quase sempre a fêmea ajuda o macho na coleta dos ovos, mas a forma de depositá-los no ninho é diferente. Enquanto o macho mergulha a cabeça no ninho, a fêmea aproxima-se dele e cospe os ovos na direção do ninho.

O trabalho de acasalar, expelir os óvulos, fertilizá-los e colocá-los no ninho poderá levar algumas horas e, ao ser término, os ovos estarão formando um bolo no centro do ninho, podendo ser entre 100 e 400 ovos, dependendo do tamanho e da idade da fêmea.

Ao observarmos que terminou o cruzamento, isto é caracterizado pelo afastamento da fêmea para um dos cantos do aquário e a não permissão do macho de que ela se aproxime do ninho, o criador deverá ter alguns cuidados. O primeiro será retirar a fêmea do aquário, passando-a para um vidro de boca larga, onde exista água descansada com três gotas de anti fungos. Isto irá ajudar a proteger contra infecções que possam ocorrer, caso o macho a tenha machucado. A fêmea permanecerá neste recipiente por 72 horas, sendo bem alimentada e após este período poderá retornar ao seu aquário de origem.

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